Amar sem tempo, sem preconceito! O início

Amar sem tempo, sem diferenças! Gostaria de falar um pouquinho sobre a criação deste blog, que faz parte de um projeto maior de música e militância. Cheguei a um momento da vida em que sinto a necessidade de me expor e defender o direito de dizer o que tenho vontade sobre minha sexualidade. Quero falar de meus relacionamentos, de minhas paixões, minhas fraquezas, minhas vitórias e minhas quedas. Tenho certeza de que, como eu, muitos gays gostarão de ter um espaço com que se identifiquem e possam expressar-se sem as amarras herdadas por nossas gerações dos anos 50 e 60, principalmente. Crio este blog, divulgo minhas canções, escrevo textos de reflexão sobre o tema aqui proposto por entender que esse movimento se constitui como necessário ao processo de inclusão do gay maduro, no contexto socioemocional de sua própria vida em sociedade. Quanto às canções disponibilizadas neste espaço, tenho a ressaltar o ineditismo das letras e a ousadia da formação das imagens, direcionadas a um público marginalizado e ainda hostilizado socialmente. Seu processo de criação é, também, a ousadia de se pretender a saída dos guetos físicos e simbólicos. É a resistência a um movimento de aprisionamento e culpabilidade perigoso para a existência humana, do qual, a meu ver, pensávamos estar libertos; entretanto, em detrimento de todo o processo humano evolutivo que hoje presenciamos, insiste em retornar à nossa sociedade brasileira, por intermédio de reacionários (em sentido jurídico), que, assustadoramente, recebem apoio de parte quantitativa importante da sociedade.

É preciso que nós, humanos, nos libertemos de nossas amarras, de tudo aquilo que nos aprisiona. É preciso que tenhamos liberdade para falar de nosso sentimento, para dizer que nos apaixonamos, como se tivéssemos revivendo a adolescência: esse é o processo vital do tempo circular, que nos alimenta e nos anima para viver o máximo de tempo que conseguirmos. Recusamos o tempo cronológico da decrepitude! Precisamos dizer que amamos o outro e que esse outro é homem como nós mesmos ou não, é maduro, é idoso, é jovem; não importa: precisamos não nos envergonhar de dizer que amamos e que somos livres para professar esse amor. Queremos estar em qualquer espaço público, como qualquer pessoa “comum”, sem esconder a nossa condição sexual, tampouco sem esconder que amamos e nos apaixonamos pelo outro igual ou não a nós mesmos. Precisamos dizer que somos iguais a qualquer pessoa: respeitamos as leis de nossa sociedade e pagamos os nossos impostos como qualquer um. Por que devemos nos esconder? Por que devemos criar guetos e espaços privados de permanência ameaçada por quem não compartilha com o que fazemos das nossas vidas? Por quê?

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